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sábado, 9 de abril de 2011


O panteísta.


Desconhecidos pela maioria e até considerados ateus por muita gente, o panteísta é antes de tudo um bon vivant, um filósofo que acredita em si mesmo e derruba os conceitos dominantes. Ele não perde tempo com idealismos, faz a separação lógica entre mito e realidade. O panteísta se posiciona contra os dogmas, não crê em divisão entre corpo, mente e espírito, não acredita em vida pessoal após a morte (algumas formas de panteísmo, no entanto abrem possibilidade para essa crença, por mim nada condenável) ou se sente submisso a um deus. Descrê desses conceitos, pois estes não lhe servem, já que extrai de si próprio o saber, o valor que pode expressar em conceitos e verdades, teses incontestáveis. O panteísmo é a negação do teísmo, não o seu inverso. Baseado na própria intuição, um panteísta não acredita em um deus pessoal porque isso não lhe convence, foge a sua razão humana e intelectual. Muitos, predispostos ao panteísmo, se esforçaram para se enquadrar nos conceitos religiosos que lhe foram impostos desde o nascimento, mas, se sentindo como peixes fora da água, abandonaram tal idealismo em busca de alguma auto-estima existencial, de algo que valorizasse a humanidade e não subjugasse os seres em dogmas e supostos pecados. Não é um fato social alguém nascer numa família panteísta, logo, praticamente todo o panteísta já fora adepto do teísmo. Salvo por famílias indígenas ou outras que vivem em locais demasiados afastados da sociedade e da influencia salvacionista. Esses vivem uma forma natural e linda de panteísmo, desavisados da importância contemporânea do Belo, do dinheiro e da manipulação da natureza, coisas que tornam ímpios até os maiores panteístas, ou tipo esse que vos fala.
O panteísmo provem da doutrina de Baruch Spinoza, o spinozismo. Segundo a enciclopédia Microsoft Encarta:
Spinoza, Baruch (1632-1677), filósofo holandês. É considerado o mais importante representante moderno do panteísmo. Era grande conhecedor das obras de Thomas Hobbes e de René Descartes. A expressão mais completa de sua filosofia se encontra em sua Ética demonstrada segundo a ordem geométrica (1674), em que afirma que o Universo é idêntico a Deus, que é a “substância” incausada de todas as coisas. O conceito de substância não se refere a uma realidade material, e sim a uma entidade metafísica. Só dois atributos da substância são acessíveis à mente humana: a extensão, ou o mundo das coisas materiais, e a racionalidade. O pensamento e a extensão existem numa realidade última que é Deus, de quem dependem. A causalidade não pode se dar entre objetos e idéias, que são substâncias diferentes.
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Segundo a Wikipédia:
A forma objetivada, "panteísta", foi cunhada pela primeira vez por John Toland, em 1705. Por sua vez, Fay atacou a filosofia de Toland, e usou a forma nominal "panteísmo". E, desde então o termo tem sido continuamente usado. O panteísmo é uma espécie de monismo, que identifica a mente e a matéria, e que pensa que a unidade é divina. E assim, o finito e o infinito tornam-se uma e a mesma coisa, embora diferentes expressões de uma mesma coisa. O universo passa a ser auto-existente, sem começo, embora sujeito a modificações. De acordo com o panteísmo, todos os seres e toda a existência de Deus, são concebidos como um todo.
Cada um tem o seu próprio modo de panteísmo, ou seja, há um panteísmo para cada panteísta. Isso se deve ao fato da inexistência e desapego aos dogmas. Nosso único dogma é não ter dogma. Cada panteísta possui a sua própria forma de ver o mundo, a própria forma de amar o Universo e respeitar ou não as regras impostas, considerando a relatividade das coisas do cosmo. É a mais bela e livre filosofia de vida, um jubilo eterno enquanto dura. A ataraxia nos implica a viver como Sócrates e tão bom como tal, a morrer como ele. A busca pelo saber próprio leva o panteísta a conhecer lugares, pessoas e situações prazerosas, numa vida sempre plena e convicta, sem obrigações ilógicas, sem peso na consciência, sem pecados. Conhecedor e seguidor das regras sociais de sua determinada região, o panteísta também erra, como todo ser humano em sua imperfeição relativa, mas a tendência dele, como sujeito intelectual, orgulhoso de suas escolhas, sempre procurando ser bom e justo é seguir o caminho da retidão. Caminho esse também relativo.
Para o jovem panteísta em especial, a vida tem sabor de ser vivida. A Natureza esplendida que lhe rodeia até no centro urbano mais tumultuado lhe é fonte de inspiração, desde o esporte até em suas relações amorosas. Evidentemente, nem tudo pode ser “um mar de rosas”, pois somos fadados a viver ao lado do preconceito. Ser diferente é crime, pecado, anti-social. Na internet está cheio de sites que difamam os modos da nova corrente panteísta desse século. Com todo respeito, mas o muro de Berlin já caiu há décadas. Não sei você, mas eu moro nas Américas e aqui a liberdade prevalece em sua maioria. As pessoas são bem informadas, no mínimo assistem a TV Escola, mas o jovem que decidir seguir um rumo panteísta mesmo nessa era encontra barreiras. Talvez, primeiramente por ser considerado ateu, depois por se rebelar contra isso, depois ele prevalece na vida mesmo sem seguir o previsto pela sociedade, quando se dá conta sua vida mudou. E para a melhor! O jovem panteísta assumido é um herói dentro da sociedade.
Pessoalmente, se há um tipo de pessoa pronta para investir em mudanças sociais, religiosas ou políticas, mudanças em busca de melhoras, são aqueles considerados ateus. Entre os considerados ateus estão: os ateus em primeiro lugar, os pagãos, panteístas, agnósticos, céticos, cientistas, deístas, indígenas, etc. Eles simplesmente estão prontos, não possuem “rabo preso”, são intelectuais, freqüentam os melhores lugares, conversam e conhecem as pessoas certas, sabem dos problemas sociais, dos problemas ambientais e melhor que tudo, querem mudança. Aqueles que possuem uma cadeira pelo menos perto do topo da hierarquia social temem mudança, é sua natureza temer isso. E eles em sua maioria são religiosos dogmáticos, pois o povo colocou eles lá de alguma forma, a comunidade adora representantes religiosos, considerados estáveis e de confiança. O panteísta é um dos que estão preparados para assumir responsabilidades, pois ele sabe o dever que tem como cidadão do mundo. Ele é uma partícula desse lugar chamado Terra, ele se esvairá ao pó, mas fará diferença. A Natureza o escolheu como digno de ser individuo, humano e racional, ele em troca usou sua capacidade bela de amar, adorando assim sua origem primordial.
Não vemos panteístas ignorantes ou preconceituosos por que esses não existem, se existem não deveriam. Em estado avançado de experiência o panteísta não mais se incomoda em ter que criticar seus colegas teístas, sabe que é inútil, que eles jamais engolirão. Mas no inicio da trajetória, no apogeu da aventura épica que nós enfrentamos em busca do saber que não tem fim, aí é onde se encontra a fase dos conflitos. A critica panteísta e os embates filosóficos com os teístas e ateístas é algo indispensável para o amadurecimento, para se eliminar as dúvidas e é a preparação para a aventura do saber em busca do limite possível da intelectualidade. Segundo Marcelo Gleiser escritor do livro A dança do universo: “A experiência é o limite intransponível para qualquer conhecimento possível.” Não estando preso a nada, senão a sua própria lógica empírica, cientifica e filosófica, o panteísta é livre como nenhum teísta ou ateísta pode ser. Ser panteísta é aceitar qualquer regra que o Universo e a Natureza imponham automaticamente, é estar pronto para a vida, sempre.



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